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Resenha: Sábado à Noite: Dos Bailes para a Fama - Babi Dewet

04 março 2016


Sábado à Noite: Dos Bailes para a Fama é o segundo volume da trilogia de Babi Dewet.

Agora não há mais marotos x populares. E sim marotos + populares. Ou, para Amanda, ex-popular. Porque depois do que ela fez com Daniel, todos na escola a culpam por ele ter sido expulso do colégio e ir morar em outro país. Mas, os alunos também não sabem o que Daniel fez com ela depois do último baile de sábado à noite. E Amanda está sofrendo muito por tudo o que aconteceu e por Daniel estar longe.

Então, a própria resolve se isolar. E o único que decide apoiá-la é Kevin, e a amizade com ele está cada vez mais forte. Mas, aos poucos Amanda vai retomando a vida, tudo vai se esclarecendo, o ano acaba e as férias chegam. E com as férias, o grupo de amigos volta com tudo. Os laços entre os marotos e as meninas estão se fortalecendo, os casais estão se formando e eles só querem aproveitar o tempo livre.

Os Scotty têm uma nova chance, eles estão crescendo e os marotos terão que aprender a administrar as novas fãs que estão surgindo com a fama. Como ficam Amanda e Daniel nessa situação?


Mais uma vez, Amanda e Daniel acabam com os nossos nervos. Não tem jeito, esse casal vai nos enlouquecer uma hora. Dá vontade de xingar demais. Dessa vez, é Daniel quem faz cada uma... Difícil gostar dele, viu? E Amanda? Burra! Tadinha, sofre demais!

Nesse volume dá para conhecer um pouco mais sobre os outros personagens, cada casal tem um espacinho no livro, e dá para se divertir bem com as situações de cada um.

Porém, se no primeiro volume a autora já demonstrou um pouquinho de maus exemplos, nesse está tudo liberado. Mais uma vez, sexo, bebidas e rock n roll. Em doses cada vez maiores. E também mais uma vez, direção sem carteira. E cigarro. Quando eu digo maus exemplos, não é porque essas coisas não aconteçam em outros livros, ou mesmo (principalmente) na vida real. Mas porque o público-alvo do livro são adolescentes. E sim, como é colocado no livro, há incentivo sim. E há incentivo porque são situações legais, que dão vontade de participar. Mas, como eu já disse sobre o primeiro volume, o livro é interessante exatamente por isso, porque está recheado de situações “proibidas”.

Mais uma vez, adorei o livro. Achei esse volume mais intenso, mais emocionante. Dá para perceber uma evolução na escrita da autora, e um aprofundamento nos personagens. Embora eu tenha ficado com muita raiva de Daniel (várias vezes) e tenha achado Amanda muito boba, consegui me divertir muito com as férias dessa turma. E o final? Fiquei com o coração apertado, de novo. E agora, o que esperar do terceiro volume? 

Nota: 4/5 (Ótimo)

Confira a resenha do primeiro volume aqui.

ISNB: 978-85-63993-63-2
Editora: Évora / Generale
Páginas: 400
Ano: 2014

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Até mais! Fabi

04 março 2016

Resenha: Sábado à Noite - Babi Dewet

03 março 2016


Cinco garotos: Bruno, Daniel, Rafael, Caio e Fred. Cinco garotas: Amanda, Carol, Maya, Anna e Guiga. Eles são os marotos. Elas são as populares.

Moram em Alta Granada e estão no penúltimo ano na escola. Amanda e Bruno cresceram juntos. São amigos desde a infância. Os outros foram chegando aos poucos.

Na escola eles não conversam. Os marotos são os perdedores. Elas têm vergonha de serem vistas perto deles. Todos no colégio as idolatram.

Eles têm uma banda de garagem. Porém, ninguém sabe. Ensaiam apenas para se divertir. Até Amanda, melhor amiga de Bruno, não sabe que ele é baterista.

A escola está com um novo projeto, são os bailes de sábado à noite. Todos estão reunidos querendo conhecer a banda que irá se apresentar. Quem são aqueles garotos mascarados, chamados Scotty, que ninguém nunca ouviu falar? As letras das músicas são lindas e agora na escola todos só falam dos bailes de sábados à noite.

Amanda e Daniel são apaixonados um pelo outro. Porém, ele é um maroto, ela é popular. Estão há anos apenas trocando olhares. O que pensarão dela se a virem conversando com ele? Mas, Amanda tem um motivo maior para se afastar de Daniel.

Daniel espera Amanda assumir o que sente por ele. Enquanto isso, tem aquele guitarrista misterioso que mexe com os sentimentos dela quando canta. E tem também o Kevin, o novo melhor amigo de Amanda, que Daniel não consegue engolir.


Fortes emoções em Alta Granada. O amor entre Amanda e Daniel é lindo, mas ô casalzinho difícil!!! Amanda é uma garota superlegal, mas, quando se trata de Daniel, é muito instável. Não sabe se deve seguir o coração, e acaba fazendo muita burrada por conta disso. Dá vontade de xingar ela demais.

Também podemos falar dos outros casais, como Bruno e Carol, que já foram namorados, mas acabaram terminando por conta de boatos. Caio e Anna vivem um amor platônico. Rafael e Maya são os mais desencanados, não estão nem aí um para o outro (mais ou menos). E Fred e Guiga; ele está investindo, mas ninguém sabe o que acontece no coração dela.

São os marotos e as populares, eles não devem se misturar (na escola). Fora dela, estão sempre se esbarrando. Querem curtir a vida, são adolescentes, e por causa disso, têm atitudes próprias da idade. E aí, estamos falando de sexo, bebidas e rock n roll. E direção sem carteira. Eles têm entre 16 e 17 anos, mas é comum pegar o carro emprestado do pai para dar uma volta pela cidade.
  
Percebe-se que a autora se inspirou no modelo de vida americano. Todos têm boas condições de vida, moram em casas enormes, alguns moram até sozinhos. Têm carro disponível para ir para a escola e sair pela cidade. Gostam de beber e estão iniciando a vida sexual.

É complicado aprovar os exemplos dados pelo livro. Direção sem carteira aos 16 anos no Brasil? Então, se por um lado percebo que o livro oferece maus exemplos, por outro, ele se torna interessante para o público-alvo, adolescentes, exatamente por isso. Se eu fosse adolescente, vibraria demais com o livro. Amanda e Daniel deixam a gente loucos. E o final? É daqueles que te dá vontade de gritar!!! Como assim? E agora?

Gostei demais do livro. Sábado à Noite era uma fanfic da banda McFly. É uma leitura supertranquila. Mas, é enorme. Tem 344 páginas, mas o espaçamento é bem curtinho, então demora para terminar. O que é legal também, porque é como uma novela, cheio de detalhes do cotidiano, cheio de reviravoltas, quando está seguindo uma linha e a gente pensa que já está tudo resolvido, tudo pode mudar.

Nota: 4/5 (Ótimo)

ISNB: 978-85-63993-38-0
Editora: Évora / Generale
Páginas: 344
Ano: 2012

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Até mais! Fabi

03 março 2016

Resenha: Guerra Civil - Mark Millar e Steve McNiven

29 fevereiro 2016


Por muitas vezes nos deparamos com histórias de HQs incríveis, outras vezes nem tanto. De tempos em tempos editoras tentam reinventar super-heróis, unificar mundos e até mesmo tirar a vida de algum ícone, seja em prol da boa leitura, seja para impulsionar vendas. Acontece que o fenômeno Guerra Civil, roteirizado por Mark Millar, ganhou destaque mundial. Envolvendo quase todos os heróis do universo Marvel, o roteiro do escocês fez sucesso estrondoso e em 2016 irá ter seu tema transportado para as telonas com o filme Capitão América: Guerra Civil.

Através de várias publicações em revistas diversas dos heróis Marvel, a editora Panini Books reuniu em um único volume o principal arco da saga. E em uma leitura dinâmica e bastante polêmica, eventos impactantes fazem com que tanto os heróis como os leitores se dividam e debatam sobre o principal tema da narrativa: o registro e, consequentemente, a revelação da identidade de todos os super-heróis.

Quando um grupo de heróis novatos, praticante de “atos heroicos” via reality show, faz uma incursão até uma reunião de vilões e inicia um combate irresponsável próximo a uma escola provocando a morte de várias crianças, o governo americano decreta que todos os super-heróis deverão ser registrados e revelarem suas identidades, passando a trabalharem para a S.H.I.E.L.D. . Com isso, o mundo Marvel se divide em heróis pró registro, liderados pelo Homem de Ferro, e contra a imposição do governo, encabeçados por Capitão América.

Diálogos durante toda a história colocam não só alguns heróis em dúvida sobre qual lado apoiar, mas o próprio leitor, que se vê entre as justificativas plausíveis e muito bem narradas durante o conto. Atos desesperados e controversos começam a ser tomados pelos dois lados, culminando em reviravoltas e até em perdas lastimáveis para os dois lados.

Steve McNiven é o responsável pela incrível parte gráfica. Impactante e com cenas de encher os olhos, é a segunda cabeça por trás desse sucesso que vendeu mais de 500.000 exemplares. Guerra Civil é sinônimo de competência, diversão e modernidade.

Nota: 5/5 (Excelente)


ISNB: 978-85-7351-690-6
Editora: Panini Books
Páginas: 210
Ano: 2010

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Até mais! Cris

29 fevereiro 2016

Resenha: Eu te darei o sol - Jandy Nelson

24 fevereiro 2016


Eu te darei o sol, de Jandy Nelson, fala sobre a relação fraterna de um casal de gêmeos, Noah e Jude. A história é narrada pelos dois personagens, ora é contada por Noah quando com 14 anos, ora através de Jude quando com 16 anos. Os capítulos são intercalados pelos pontos de vista de cada um dos personagens, que relatam os acontecimentos que se seguiram entre os 14 e 16 anos.

Noah e Jude sempre foram muito próximos, quase uma pessoa só, conseguem conversar sem dizer muito, sempre em sintonia a ponto de completar a frase do outro e um sentir o que o outro sente. São artistas. Noah é excelente em desenhos, e Jude ainda está descobrindo a sua área, mas é capaz de fazer lindas mulheres esculpidas em areia. Eles estão com 14 anos e a mãe está incentivando os filhos a entrarem para uma escola especializada em artes. E para conseguirem a vaga eles precisam se preparar. 

O problema é exatamente pelo fato de os dois serem tão próximos que eles se tornam previsíveis. Como um sabe como o outro pensa, eles se tornam competitivos. E tudo começa quando eles começam a visitar museus aos finais de semana com a mãe e a preparar um portfólio para se inscreverem para a escola de artes. Os dois estão competindo pela atenção da mãe e por qual deles é o melhor artista.

Os gêmeos são muito próximos, mas são muito diferentes. Noah é muito tímido, não tem amigos, vive isolado do mundo, desconectado de redes sociais, vive no seu mundo particular. Sente-se rejeitado pelo pai, que não entende o seu comportamento. A mãe, por outro lado, é muito carinhosa e alegre. Por isso, Noah precisa tanto da atenção dela.  

Jude é uma garota normal, muito bonita e popular, cheia de amigos, supersticiosa, surfista, e tem toda a atenção do pai. Sente ciúmes da mãe com Noah.

Em meio a um turbilhão de sentimentos sobre essa relação familiar, os dois ainda estão passando por outros problemas típicos da adolescência, como a descoberta do primeiro amor, o desenvolvimento do corpo e o desenvolvimento da sexualidade.

Jude e Noah tinham uma brincadeira em que eles dividiam o mundo, eles competiam sobre quem conseguiria conquistar o Universo. Noah estava ganhando a disputa, já estava com as árvores, estrelas e oceanos. Ele faz um desenho que deixa Jude maravilhada quando o vê, ela daria tudo por ele, qualquer coisa. E na negociação pelo desenho, Jude dá o sol para Noah.


O livro tem um início lento, aos poucos vai mostrando as características de cada um, aos poucos vamos conhecendo cada um, até que estamos completamente envolvidos com os personagens e fica difícil tomar partido por um deles. Os dois são apaixonantes, os dois estão passando por vários conflitos internos, os dois precisam de atenção. Suas vidas são totalmente transformadas quando ocorre um evento na família e os irmãos acabam passando por vários acontecimentos que vão se acumulando ao longo de dois anos. Intercalando os pontos de vista entre Noah com 14 anos e Jude com 16, vamos tomando conhecimento de tudo o que aconteceu durante esse intervalo, até entendermos completamente os motivos de tantas mudanças.  

Ainda podemos destacar outros personagens na história, como Brian, um garoto de 14 anos que logo se torna amigo de Noah; Oscar, um misterioso inglês de 19 anos que passeia pelo livro o tempo todo; e Guillermo Garcia, um famoso escultor, que por causa de algum problema do passado resolveu se fechar para o mundo.

Depois que pegamos o ritmo da história, a leitura é muito agradável e consegue nos fazer sentir todas as emoções do artista em seus momentos de criação. Sempre quando Noah, Jude e Guillermo sentiam-se inspirados e vinha aquela explosão artística, aquele sentimento que precisava ser externado, conseguimos sentir junto com o personagem o impulso artístico, como se fossemos também criadores, como se fossemos artistas e entendedores de arte. A autora consegue passar esse sentimento de criação de forma muito natural, como se a arte também fosse natural para nós. 

Fala também sobre os problemas que os segredos podem gerar. Todos os personagens do livro têm segredos e conflitos internos. Esses segredos transformam as pessoas, elas são consumidas pelos conflitos que os segredos geram. Com isso, o livro fala sobre assumir responsabilidades, sobre ser sincero sobre quem você é. 

Além disso, aborda assuntos como relacionamento familiar, homossexualidade, preconceito, alcoolismo, adultério e negação. O livro fala sobretudo sobre o amor, sobre o que você daria por quem você ama. O livro aborda vários tipos de amor, principalmente o amor entre os irmãos, que é maior do que todos os problemas que eles têm. 

Adorei o livro, recomendadíssimo, entrou para a lista de favoritos.

Nota: 5/5 (Excelente)


ISNB: 978-85-8163-646-7
Editora: Novo Conceito
Páginas: 381
Ano: 2015

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Até mais! Fabi

24 fevereiro 2016

Resenha: Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

04 fevereiro 2016


Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, se passa em um futuro desenvolvido tecnologicamente, quando o acesso aos livros e ao pensamento é proibido, o governo quer eliminar a disseminação do conhecimento, mantendo as pessoas alienadas através de uma profusão de imagens e sons enviados através de grandes televisores que ocupam paredes inteiras das casas da população.

Os bombeiros, que antes cuidavam da segurança da população, combatendo o alastramento do fogo em caso de incêndio nas casas, agora tem o papel inverso. Com a função de coibir a guarda de livros, os bombeiros estão prontos para atear fogo em qualquer casa denunciada por haver livros escondidos e em qualquer cidadão que se manifestar contra. Ou saia da frente ou queime junto.

Guy Montag, bombeiro, com o seu capacete 451, está sempre sorrindo e apto a atear fogo ao alarme dos bombeiros. Nunca parou para questionar a profissão. Mora com sua esposa, Mildred, em uma casa com paredes inteiras ocupadas por televisores, nos quais Mildred passa o dia inteiro conectada interagindo com atores considerados sua família.

Até que numa noite, quando voltava para casa, Guy Montag conhece Clarisse McClellan, uma adolescente que perambula pela noite sem rumo com os pensamentos em devaneio. Descobre que Clarisse é sua vizinha e mora em uma casa com hábitos bem diferentes das demais. A casa está sempre acesa e os moradores passam o tempo conversando e não ligados em aparelhos eletrônicos. 

Montag se acostuma com a presença daquela garota com questionamentos estranhos acompanhando-o todos os dias no trajeto entre casa e trabalho. E entre as perguntas mais escabrosas, como “é verdade que antigamente os bombeiros apagavam incêndios em vez de começá-los?”, ou “você nunca lê nenhum dos livros que queima?”, perguntas que Montag não sabe responder, ele próprio começa a questionar o comportamento das pessoas, das que estão alienadas em eletrônicos, dos bombeiros que queimam os livros, das que preferem morrer junto com os livros a abandoná-los, e o comportamento dele mesmo, as suas atitudes sem sentido e a vida vazia que ele leva.

Montag tem um segredo, muito bem guardado na grade do ventilador no corredor de sua casa. Um segredo que ele não sabe quando ou porque começou. Clarisse passa a fazer parte da sua rotina e ele começa a perceber que não tinha esse relacionamento com ninguém, não se lembrava da última vez que tinha conversado com alguém, a vida com Mildred era vazia, a família não deixava sobrar tempo para ela pensar (em qualquer coisa).   

Até que ele se recorda de Faber, um professor com quem ele havia conversado há muito tempo num banco de praça, e resolve procurá-lo para ajudá-lo a esclarecer o que eram aqueles sentimentos todos e o desespero que ele sentia em poder sair daquela vida estagnada, a curiosidade aguçada pelo o que os livros poderiam oferecer. Afinal de contas, o que continham naqueles livros que os faziam tão proibidos?

Montag passa a agir de maneira estranha no serviço e Beatty, o chefe dos bombeiros, passa a desconfiar de seu comportamento. Curiosamente, Beatty conhece os livros que queima e é até capaz de citá-los. Ao ser questionado por Montag, Beatty dá uma aula sobre como os livros se tornaram desnecessários; sobre como a população deixou de ler por conta própria; sobre como os bombeiros, na verdade, raramente são necessários, porque são poucas as pessoas que mantém o interesse por livros.

Montag quer mais, não aceita o estabelecido, se rebela, tenta se refugiar junto a um grupo de intelectuais na floresta, enquanto uma guerra está acontecendo na cidade e a população não está percebendo as bombas que estão passando por suas cabeças.


Embora Clarisse tenha um papel importante na transformação de Montag, considero que ela apenas acendeu um sentimento que já existia nele, não foi ela quem fez a transformação nele, não foi a partir dela que ele começou a pensar. Porque para a garota tê-lo tocado é porque ele já demonstrava indícios de descontentamento com a vida; afinal de contas, ele já tinha um segredo. Porque se ele fosse uma pessoa tão alienada como Mildred, não seria possível Montag dar tanta importância para Clarisse. Ele apenas não dava atenção para algo que já estava nele.

Outra questão é o relacionamento em si com Clarisse. Que Mildred não desse atenção para Montag e os dois vivessem como estranhos, mas a relação dele com Clarisse ficou parecendo uma paixão adolescente. A maneira como ele se refere a ela, os questionamentos dela e o envolvimento dele tem um tom infantil. A idade proposta para eles não condiz com os discursos, Montag tem por volta de 30 anos, e ela tem 17. Que garota é essa, tão espontânea, capaz de fazê-lo pensar em coisas que nunca passaram por sua cabeça, mesmo que ele estivesse preso àquela vida sem sentido?

E temos também Faber, um ex-professor universitário, covarde. Ele incita Montag a se rebelar, a começar a revolução sozinho, enquanto ele fica em casa com um plano impalpável apenas acompanhando de longe o outro se arriscar pelas ideias dele. Se sente como um mestre direcionando o aluno, mas na verdade estava só colocando lenha na fogueira. 

Beatty é o personagem mais inteligente. É o chefe dos bombeiros, que tem prazer em queimar os livros, mas tem uma filosofia, sabe porque está queimando, conhece o que está queimando. Conhece tanto que em determinado momento ele nos coloca em dúvida se ele realmente acredita na incineração dos livros ou se ele age assim só porque não adianta ir contra o sistema, mas ele entende perfeitamente tudo o que Montag está sentindo.

E Montag é um homem ignorante, totalmente influenciável, ora por Clarisse, ora por Beatty e ora por Faber. É um homem burro, impulsivo, que age sem pensar, que não sabe o que está fazendo. Qual é a transformação que ele quer? Afinal de contas, o que ele quer? Nem ele mesmo sabe. Ele não chega a adquirir um conhecimento com os livros suficiente para engatar uma revolução, não dá tempo para isso. Ele simplesmente age, ele simplesmente acompanha os outros, até o fim. 

Acho que deu para perceber que o livro me incomodou em vários pontos e eu tive certa dificuldade para lê-lo. É um livro pequeno, que eu poderia ter lido bem rápido, mas como eu não consegui me envolver em momento algum, acabei arrastando duas semanas. Infelizmente, o livro não me prendeu hora nenhuma. Apesar de algumas cenas bem interessantes, não foram emocionantes para mim.

Eu entendo que é um clássico, mas infelizmente eu não gostei. A sinopse do livro é bem interessante, eu queria ler uma distopia clássica e foi o que me fez querer lê-lo, mas eu tive dificuldade com a escrita do autor, um tanto poética. Talvez por isso eu não tenha conseguido me envolver. Gosto de escritas poéticas, mas o estilo dele não me agradou.

Não acredito que seja um livro ruim, é um clássico. Acho que simplesmente não é o tipo de leitura que eu gosto. Não foi para mim. E quando a gente não gosta, acaba colocando um monte defeito.

Nota: 2/5

ISNB: 978-85-250-5224-7
Editora: Globo / Biblioteca Azul
Páginas: 215
Ano: 2015

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Até mais! Fabi

04 fevereiro 2016

Resenha: O Príncipe dos Canalhas - Loretta Chase

01 fevereiro 2016


O Príncipe dos Canalhas é o terceiro volume da série Canalhas, de Loretta Chase. Entretanto, é o primeiro livro da série publicado pela Editora Arqueiro. Não há necessidade de os livros serem lidos em ordem.

Sebastian Leslie Guy de Ath Ballister teve uma infância difícil, tendo sido abandonado pela mãe aos 8 anos de idade quando a mesma fugiu de casa para morar com o amante. Sendo filho de um marquês com uma jovem italiana, o garoto herdou as características físicas maternas e nasceu fora dos padrões de beleza. 

Quando menino, era magro com ombros largos, um corpo desproporcional. Moreno com cabelos e olhos bem negros, além do enorme nariz. A sua aparência sempre foi um problema, não agradava nem mesmo aos olhos do próprio pai. Quando a mãe fugiu, foi enviado para o colégio interno, crescendo longe de casa. Foi o terror na escola e fez questão de tornar a vida do pai um pesadelo.

Quando adulto, tornou-se um homem alto e forte. Muito inteligente, aprendeu rápido sobre finanças. Um homem de personalidade marcante, bruto, arrogante e orgulhoso, apelidado de Belzebu. Libertino assumido, preferia pagar prostitutas a se relacionar com mulheres respeitáveis. 

Quando o pai morreu, herdou toda a fortuna e tornou-se o marquês de Dain. Procurando se afastar das lembranças que a casa trazia, foi morar em Paris. Dain e seu grupo de canalhas. Tinha que ser muito rico para conseguir se manter ao seu lado. Arruinava qualquer um que tentasse acompanhá-lo. E entre os seus admiradores estava Bertie Trent. Para estar perto de Dain, Bertie gastou todo o dinheiro da família com jogos, bebidas e mulheres.

Eis que chega em Paris a Srta. Jessica Trent, irmã de Bertie Trent, com a função de resgatar o irmão da má influência de Dain. Uma mulher muito bonita, que havia recebido várias propostas de casamento, mas optou por manter-se solteira. Muito inteligente, teimosa e orgulhosa. Admiradora de arte, acaba se encontrando com Dain em uma loja de antiguidades.  

Apesar de todos os boatos sobre Dain, Jessica não estava preparada para o que viu. O famoso Belzebu não é de todo mal como dizem. Assim como Dain fica intrigado com aquela mulher respeitável, bonita e inteligente que não se deixa envergonhar por pouca coisa. Após Jessica descobrir uma obra de arte raríssima que passou despercebida por Dain, o lorde vai ficar louco para recuperá-la de Jessica, e os dois terão o primeiro embate.


O cenário é muito bem construído, trazendo vários elementos do século XIX, com muita informação reunida em um livro só, o que mostra que a autora conhece bem o tema que se propõe. Entretanto, ela se arriscou muito com a estratégia utilizada. Ora amamos Dain, ora odiamos. 

Dain é um homem de temperamento instável por conta de toda a sua história, com problemas de autoestima, de comunicação e de interpretação. Um momento perfeito pode ser transformado completamente em questão de segundos. Em vários momentos, quando estava tudo bem e Dain começava a se abrir, algo acontecia e ele interpretava tudo errado. O homem se tornava implacável, vingativo e ignorante. E Jessica não ficava para trás. Rebatia no mesmo nível.

O problema é que as discussões entre o casal saiam do estado cômico para se tornarem trágicas. Tudo era elevado a um nível de vingança máxima, para arruinar completamente a reputação do outro. Seria impossível manter o interesse de ambas as partes com as atitudes tomadas por cada um. E mesmo Jessica sendo uma mulher inteligente, segura e orgulhosa, as situações a que ela se prestava a aceitar eram demais para qualquer coração. Eram demais até para o leitor.

Até a metade do livro, por várias vezes eu pensei em abandoná-lo por conta das atitudes de Dain, ignorantes demais. Se eu não tivesse insistido um pouquinho mais, teria perdido a oportunidade de ver a remissão de Dain, de ver a sua transformação, de entender o personagem completamente e todas as suas atitudes, e de passar a ser Jessica e entender as suas carências. Por ter insistido até o fim, o livro ganhou o meu coração e eu fiquei com aquele sentimento de quero mais.  

Com certeza, eu quero ler os próximos volumes da série, mas achei o livro com um tom dramático demais, não enxerguei o toque cômico que os romances históricos costumam ter, apesar de a autora ter se esforçado para isso. Tanto as brigas entre o casal, quanto a própria história de Dain, e os sentimentos de inferioridade dele pela aparência são exagerados. Afinal de contas, Dain era realmente um homem feio, mas bonito aos olhos de Jessica, ou apenas um menino que por não ter recebido amor e carinho na infância cresceu com uma péssima imagem de si mesmo?

Sobre a capa, apesar de bonita, não tem relação nenhuma com os personagens. Jessica Trent é branca com uma pele de porcelana, olhos cinzentos e cabelos bem negros. A mocinha da capa é loira. Como assim?



Nota: 3/5 (Bom)

ISNB: 978-85-8041-399-1
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2015

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Até mais! Fabi

01 fevereiro 2016

Resenha: O Protetorado da Sombrinha: Alma? - Gail Carriger

22 janeiro 2016


Alma? é o primeiro volume da trilogia steampunk O Protetorado da Sombrinha, de Gail Carriger, e vai nos falar sobre uma sociedade repleta de vampiros, lobisomens e fantasmas em plena Londres do século XIX.

É nesse cenário, entre humanos e sobrenaturais, que encontramos Alexia Tarabotti. Uma solteirona de 26 anos, considerada fora dos padrões de beleza da sociedade. Sendo filha de italiano, ela é morena, tem um corpo com curvas, um nariz grande e adora comer. É muito inteligente, adora ciência e é também muito esperta.

Mas, a Srta. Tarabotti tem outra característica, ela é uma preternatural. Nessa sociedade, existem os sobrenaturais, que são os vampiros, os lobisomens e os fantasmas, e existem os mortais, que são os humanos. A Srta. Tarabotti não é nem mortal, e nem sobrenatural. Ela é uma preternatural, uma sem alma. Ela é uma pessoa aparentemente comum, porém não tem alma. E isso significa que ela tem o poder de fazer o sobrenatural (vampiros e lobisomens) retornar à forma humana apenas com o toque. Ela retira a imortalidade dos sobrenaturais.

Mas os preternaturais são uma espécie rara, apenas os sobrenaturais sabem que eles existem. Essa condição da Srta. Tarabotti é mantida em segredo e ela vive uma vida comum e tranquila.

Mas a sua vida começa a mudar quando, em um baile da alta sociedade, um vampiro recém-criado, sem conhecimento das regras de etiqueta que há entre os sobrenaturais, tenta atacá-la sem a sua permissão e ela acaba matando o vampiro por acidente. A cena se torna um caso de polícia em que ela acaba sendo envolvida.

Quem vai investigar esse caso é Conall Maccon, um lorde policial, lindo, e lobisomen. Ele é alfa da alcateia de Londres, é rabugento e muito temperamental. E como a Srta. Tarabotti é muito curiosa, muito atrevida e não consegue ficar de boca calada, durante as investigações os dois vão trocar muitas farpas e teremos muitas cenas cômicas.

E a partir daí teremos uma trama que envolve a criação de novos vampiros fora da colmeia, ao mesmo tempo em que há vampiros errantes desaparecendo. Depois eles descobrem que os lobisomens errantes também desapareceram. Há um mistério para ser desvendado.


O livro mistura romance histórico, fantasia, comédia e ficção científica. Numa época em que as mulheres se vestiam com vestidos longos, chapéus e sombrinhas, e os homens com terno, colete e cartola, temos um cenário com muitas máquinas e engrenagens, em que convivem humanos, vampiros, lobisomens e a preternatural Srta. Alexia Tarabotti. E entre tapas e beijos temos um caso para desvendar.

Adorei o livro e, com certeza, quero ler os próximos volumes que fazem parte da trilogia, que são Metamorfose? e Inocência?.

É um livro leve, ótimo para quem está com ressaca literária. Um livro divertido, que serve para distrair a mente. Muito bom!

Nota: 4/5 (Ótimo)




ISNB: 978-85-65859-04-2
Editora: Valentina
Páginas: 308
Ano: 2015

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Até mais! Fabi

18 janeiro 2016

Resenha: Hibisco Roxo – Chimamanda Ngozi Adichie

11 janeiro 2016


A história é contada através de uma adolescente nigeriana de 15 anos chamada Kambili. Ela relata o seu dia a dia e a sua relação com a família, que é composta pelo pai, apelidado de Papa; a mãe, Mama; e o irmão mais velho, Jaja.

O cotidiano desse família gira em torno do pai, que é um fundamentalista católico; que foi convertido quando ainda jovem por conta da colonização inglesa, estudou em escola católica, e, por causa disso considera essa a religião de pessoas civilizadas. A família é de etnia igbo (pronuncia ibo), que é um dos maiores grupos étnicos africanos. Apesar de o pai naturalmente falar igbo, socialmente, pensa que o correto e o aceitável para pessoas civilizadas é falar inglês, por isso evita falar igbo em público, usando-o apenas em casa, em poucas ocasiões.

A família mora em Enugu, que é a capital do estado de Enugu, na Nigéria, e é uma família extremamente rica, porque Papa começou a trabalhar desde cedo, quando ainda estudava, e, com o seu esforço, criou fortuna e tornou-se dono de várias fábricas em Enugu e do jornal “Standard”. E, por causa dessa fortuna, ele é um homem muito importante na cidade e também muito generoso, que faz várias doações para a igreja e suas causas, para hospitais, e para a população em geral que o procura em busca de ajuda.

E, pelo fato de os seus filhos, Zambili e Jaja, têm boas condições de vida, estudarem em escolas católicas particulares, e por serem abençoados por Deus, devem se esforçar para retribuir essa benção de Deus, devem ser os melhores na classe de aula, sendo inaceitável algo menor que o primeiro lugar no ranking entre os alunos. Zambili vai nos contar sobre a pressão para conseguir atingir essa meta imposta pelo pai, e o problema quando um dos filhos não conseguia atingir o primeiro lugar na classe. A reação é violenta, literalmente.

Ela fala também sobre os horários rígidos que ele formulava para os filhos. Zambili e Jaja têm horários para tudo, que se resumia basicamente em tempo para ir à igreja, estudar, e ficar com a família. Embora eles tenham televisão e som em casa, não têm autorização para usar. Ela é uma garota solitária que não tem amigas na escola. Além de ser muito tímida, não tem tempo a perder depois da aula para conversar com as outras meninas.

Mas, não podemos pensar que Kambili não gosta do pai. Kambili demonstra um misto de respeito e admiração por ele, afinal de contas, Papa é um benfeitor da comunidade. Kambili vive uma vida a base do medo, tentando acertar e agradar ao pai para ver o orgulho em seus olhos.

Os irmãos têm uma relação boa, mas também não conversam abertamente sobre o que pensam e o que sentem. Conversam através de olhares. São unidos pelo silêncio sobre o que acontece em casa.

Já Mama, é uma mulher submissa que vive para o pai, para atender a tudo que ele quiser. Vai à igreja, cuida da casa, cuido dos filhos e sofre penalidades se sequer cogitar questionar o que Papa determina. Está tentando engravidar há anos do terceiro filho, e corre boatos entre o povo de que Papa deveria arrumar outra mulher e ter filhos com ela, já que Mama não consegue engravidar. O problema é que o povo não sabe que ela já teve vários abortos, nem sempre por culpa dela. Mas Mama agradece a Papa e sente-se feliz por ele não ter ouvido o povo e preferir ficar com ela e não ter outra família.

Nesse sentido, Papa (Eugene) é um homem muito devoto à família. Apesar de violento quando acredita que foi desobedecido (não raras vezes), ele ama os filhos e deseja o melhor para eles. Quando age com violência em casa, ele também sofre por ter que agir assim, porque pensa que está fazendo o que é certo, o que é melhor para eles. Eles devem ser punidos por irem contra Deus, e devem rezar por perdão pelos pecados cometidos.

Eugene não aceita se relacionar com as pessoas que não se converteram ao catolicismo, que ele considera pagãs, porque são pessoas que não querem aceitar o verdadeiro Deus e podem influenciar as outras a cometerem pecados. Ele reza para a alma dessas pessoas não irem para o inferno. E entre essas está o seu próprio pai, Papa Nwukwu, com quem ele não se relaciona mais porque se recusa a se converter. Papa Nwukwu já é idoso, está doente e, embora Eugene viva distribuindo dinheiro para o povo, dispensa pouquíssima ajuda ao pai, que vive em precárias condições de vida, com o mínimo para sobreviver. O fato de o pai ser pagão também priva a relação do avô com os netos, que têm apenas 15 minutos para ficar com o avô quando o visitam, não podendo comer ou beber qualquer coisa de sua casa.

Além do avô, há também a irmã de Eugene, Ifeoma, e seus três filhos, Amaka, Obiora e Chima. Ifeoma é viúva, professora universitária, e mora com os filhos em Nsukka, cidade-universitária da Nigeria. A universidade está passando por problemas administrativos, sem condições de oferecer educação de qualidade para os alunos, sem condições mínimas para funcionamento (falta água, luz e gasolina no campus) e, por isso, há protestos por parte dos alunos e de alguns professores contra a administração. Ifeoma é uma pessoa articulada, contestadora, que apoia e incentiva o discurso livre entre os seus filhos e a liberdade de expressão. Mas, por conta da profissão, vive em péssimas condições de vida em Nsukka.

Quando a tia e os primos vão visitar a família em Enugu, Kambili fica admirada e ao mesmo tempo assustada com os seus primos quando os veem comendo e conversando, com tanta naturalidade, rindo e discutindo. Ela não sabia que as pessoas conversavam. Em sua casa, ela abria a boca apenas para responder às perguntas do pai. Kambili e Jaja não podem falar quando querem, não podem se expressar. Ela não sabe conversar. Ela vive como espectadora.

Mas a mudança na sua vida começa a acontecer quando tia Ifeoma pede a Eugene que deixe os filhos passarem as férias em sua casa para os primos se conhecerem melhor. Ifeoma também é católica, mas aceita bem a religião do pai, a tradicional. E usa a religião como desculpa para conseguir a aprovação de Papa. Jaja e Kambili vão para Nsukka e vão conhecer um novo mundo, muito mais precário, muito diferente da vida luxuosa da sua casa, mas também libertador.

Kambili vai aprender a se socializar, a deixar de ser apenas observadora. Vai conquistar pessoas e desenvolver amizades. Destaque para a sua prima Amaka, da mesma idade, mas muito diferente de Kambili. Garota extrovertida, de opinião forte, que fala o que pensa e usa roupa e maquiagem própria de adolescentes, não o que Kambili estava acostumada a usar.

Vai conhecer também o padre Amadi, pessoa que vai passar a ter grande importância na sua vida. Padre Amadi é missionário e atua onde a igreja o mandar. Mas, apesar de padre, católico e falar inglês, não ignora a língua nativa, o igbo, e as crenças e costumes tradicionais. Ele adora cantar músicas em igbo entre as orações (que para Eugene não era coisa de pessoa civilizada), e vai apresentar a Kambili uma outra forma de ver a religião.

Tia Ifeoma tem hibiscos roxos plantados em seu jardim, que são flores experimentais, diferentes do hibisco vermelho comum que a família tinha no jardim em Enugu. E depois de vários dias em Nsukka, depois de vários acontecimentos, quando Kambili e Jaja voltam para casa, a tia oferece uma muda de hibiscos roxos ao sobrinho, que era apaixonado por plantas, para cultivar em casa. Hibiscos que significavam liberdade, não de fazer, mas de ser. As mudanças já haviam começado.

É difícil colocar no papel todos os detalhes da cultura nigeriana que a autora procurou passar através do olhar de uma adolescente. O livro aborda vários assuntos, que se mesclam e se completam, com uma linguagem que nos transporta para o outro país, como se estivéssemos lá ou como se fosse uma cultura com costumes naturais para nós, brasileiros, como expectadores ao lado de Kambili e fizéssemos parte daquela sociedade.

Ao mesmo tempo em que a autora usa uma linguagem muito fácil e simples de entender, ela consegue entrelaçar com muita habilidade vários questionamentos a respeito da desigualdade social, da intolerância religiosa, da sociedade machista e patriarcal, da ditadura militar, da violência doméstica, da qualidade da educação, e de outros problemas mais que estão inseridos naquela sociedade. E, infelizmente, em alguns momentos do livro, a verdade é tão crua, que ficamos horrorizados, como se esses problemas estivessem muito longe de nós, em outro continente, apenas.   

Livro excelente, recomendadíssimo, que te dá um sutil soco no estômago.

Nota: 5/5 (Excelente)

ISNB: 978-85-359-1850-2
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 324
Ano:2011


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Até mais! Fabi

11 janeiro 2016

Resenha: Destinado – Carina Rissi

04 janeiro 2016


Destinado, As Memórias Secretas do Sr. Clarke é o terceiro volume da série Perdida, de Carina Rissi.

Sofia e Ian Clarke estão vivendo o felizes para sempre, na companhia de Nina, filha do casal. Porém, aquele pequeno objeto estranho brilhante está vibrando e Ian, sem entender o motivo de o celular de Sofia resolver tocar, e desesperado com a possibilidade de perdê-la novamente, resolve escondê-lo na gaveta do escritório, longe das vistas de sua esposa. Porém, uma outra pessoa da casa, desavisada e curiosa, irá encontrá-lo e vai parar no futuro, no mundo de Sofia. 

A fada madrinha de Sofia aparece novamente e propõe, como única alternativa para a solução do problema, que ela viaje para o futuro para trazer a pessoa de volta, senão isso traria sérias consequências para a vida de todos. Ian, contrariado, aceita que Sofia se afaste dele temporariamente, mas, no último minuto, quando o celular está fazendo a sua mágica com o tempo, ele se agarra a Sofia e o casal vai parar na turbulenta cidade do século XXI. 

Lá, Ian será apresentado a Rafael e Marina, o casal de amigos de Sofia, que os ajudarão em sua busca. Ian e Rafa se tornarão grandes amigos, sem Rafael saber, é claro, da importância que o casal tem na sua vida. Desde Ian ir parar na cadeia até roubar documento do hospital, é diversão garantida a confusão que os quatro irão aprontar. 

Mas, Ian e Sofia não têm tempo a perder. As horas estão passando e as consequências já começam a aparecer. Haja coração para Sofia aguentar tudo o que está por vir. 


Mais uma vez, Carina Rissi nos presenteia com essa deliciosa leitura sobre o casal apaixonado Ian e Sofia. Uma leitura cômica, narrada pelo protagonista, cheia de reviravoltas, e que brinca com o tempo. Ora estamos no século XIX, ora estamos no XXI. Mas não é apenas o tempo que flutua, a memória também. Para quem é fã da série, vai poder relembrar os melhores momentos do casal. E ainda se divertir com Ian Clarke e as suas descobertas sobre o futuro. Além, é claro, de conhecer profundamente os seus pensamentos mais íntimos. 

Muito interessante a maneira como a autora trabalhou com o tempo e a memória neste volume. Uma característica dessa série é que ela sempre dispõe de vários elementos durante o livro para a trama ir se fechando aos poucos até estar tudo costurado. Acontece que, a forma que a autora escolheu para nos deslocar no tempo demandou muitas páginas, o que tornou o livro extenso. Isso, infelizmente arrastou a leitura um pouquinho. Mas, os momentos do Sr. Clarke sendo cavalheiro nos compensa arrancando suspiros e risadas bobas. 

Confira as resenhas de Perdida e Encontrada.

Nota: 4/5 (Ótimo)

ISNB: 978-85-7686-457-8
Editora: Verus
Páginas: 460
Ano: 2015

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Até mais! Fabi

04 janeiro 2016

Resenha: Os Bridgertons: O Duque e Eu - Julia Quinn

30 novembro 2015


O Duque e Eu é o primeiro volume da série Os Bridgertons, de Julia Quinn.

Simon Arthur Henry Fitzranulph Basset é o conde de Clyvedon. Nasceu para herdar e administrar um dos maiores ducados da Inglaterra. Único herdeiro do duque de Hastings, Simon teve um relacionamento conflituoso com o pai ao longo da vida, uma vez que o filho não correspondia ao que o duque esperava quando sonhava com um herdeiro. Simon demorou até os quatro anos de idade para falar, e quando o fez, descobriu-se gago. E para o pai, isso é um defeito vergonhoso para a alta sociedade.

Daphne Bridgerton é a quarta de uma família de oito filhos, e das mulheres é a filha mais velha. Em idade de se casar, sua mãe, Violet Bridgerton, está atenta a todos os pretendentes da região. Depois que a filha debutou, Violet está desesperada para casá-la e fez até uma lista dos cavalheiros que ela selecionou como futuros bons maridos. Mas, Daphne é uma menina inteligente e não gostaria de se casar com qualquer pretendente. Já recebeu algumas propostas, mas a família aceitou a sua recusa a todas. Ela não espera encontrar o amor no casamento, mas também não gostaria de se casar com alguém por quem não houvesse nenhum sentimento.

Em função da relação com o pai, Simon viveu 6 anos no exterior. Antes disso, estudou anos em Eton e em Oxford, onde conheceu e tornou-se amigo de Anthony Bridgerton, o primogênito da família. Nessa época, ficou conhecido como um aluno estudioso e ganhou a reputação de libertino. A essa altura, ele já havia aprendido a disfarçar a gagueira. Mas, quando o pai decide se reaproximar de Simon, o rapaz resolve sair da Inglaterra. E agora ele está de volta. Com a morte do pai, é o novo duque de Hastings.  

Logo do seu retorno, Simon é convidado para o baile de Lady Danbury. Não tem interesse em ir, mas a mesma sempre havia sido muito gentil com ele e não queria desapontá-la. Entretanto, encontra-se com o seu amigo Anthony e o mesmo o alerta sobre os bailes da alta sociedade e as mães desesperadas para casar suas filhas. Não pretendia se casar. Nunca. E não passaria a frequentar bailes, já que não estava procurando uma esposa. Resolve, então, que iria apenas entrar discretamente, cumprimentar a anfitriã e sair rapidamente. Mas, não é o que acontece.

Assim que chega à festa, pela lateral da casa, discretamente, encontra um casal discutindo no corredor. Tenta passar despercebido, mas acaba se envolvendo e se interessando pela dama causadora daquela confusão. Poderia muito bem passar por um libertino e se aproveitar do momento, quando descobre quem é a moça, Daphne Bridgerton, a irmã mais nova do seu melhor amigo. Existe um tratado entre cavalheiros de nunca cortejar a irmã do amigo, e Daphne definitivamente fazia parte da regra. Simon tenta ajudar a moça a resolver o problema com o outro cavalheiro, mas, por fim, resolvem fingir que nunca havia acontecido.

Depois várias apresentações de damas e mães desesperadas para conhecer o novo duque, para Simon, o seu momento com Daphne havia sido o ápice da noite. E o duque percebe que muitos dos seus amigos se casaram enquanto ele esteve fora e que não teria como fugir dos bailes da alta sociedade planejados pelas esposas deles. Então, tem uma ideia louca e faz a proposta para Daphne de eles formarem um casal. O duque deveria fingir interesse pela moça e se mostraria comprometido. Com isso, manteria as mães ambiciosas distantes dele durante os bailes e conseguiria dar um descanso para Daphne das apresentações aos cavalheiros nos bailes à procura de um marido. Como bônus, o interesse do duque ainda deveria despertar a atenção de outros homens à dama, que sempre a viram apenas como amiga. Quando o casal rompesse, Daphne teria vários pretendentes para escolher o melhor marido.

“Contaram a esta autora que, na noite de ontem, o duque de Hastings mencionou nada menos que seis vezes que não tem planos de se casar. Se sua intenção era desencorajar as mães ambiciosas, ele cometeu um grave erro de avaliação. Elas simplesmente verão seus comentários como os maiores desafios.
E o interessante é que todos os comentários antimatrimônio foram feitos antes que ele fosse apresentado à encantadora e ajuizada Srta. (Daphne) Bridgerton.

Crônicas da Sociedade de Lady Whistledown, 30 de Abril de 1813.”


Já podemos imaginar que esse plano não vai certo, né? Eles formam uma ótima companhia um ao outro, e Simon fica muito à vontade com Daphne, sem dificuldade para falar e formar pensamentos. Suas conversas simplesmente fluem. Para Daphne, ele tem um ótimo humor, e ela adora a sua amizade. É fácil o relacionamento entre eles. Mas, eles têm planos diferentes para o futuro. Daphne quer uma família, e Simon não quer se casar. E isso, vai gerar muitos conflitos.

Não podemos esquecer também das “Crônicas da Sociedade de Lady Whistledown”, a coluna de fofocas que circula toda manhã pelas casas da alta sociedade. Ninguém nunca ouviu falar de Lady Whistledown, mas estão todos viciados a ler seus relatos sarcásticos sobre os últimos acontecimentos. Ninguém sabe quem é ela, mas ela está por dentro de tudo o que acontece na alta sociedade.

Simon e Daphne formam um ótimo casal. Se do início eles têm um relacionamento divertido e até um pouco cômico, essa relação vai se desenvolvendo até tornarem-se companheiros e cúmplices. Os problemas de Simon com o seu pai orientaram toda a sua vida, e isso vai exigir muita paciência e fé de Daphne no sentimento dele por ela. E também muita crença em si mesma e no próprio sentimento. Se do início era fingimento, por fim torna-se uma relação muito profunda, cheia de reviravoltas, muita confusão, apenas dois personagens querendo ser felizes. 

A escrita da autora é deliciosa, uma leitura muito rápida e muito gostosa. Mas não é uma história superficial, simplesmente situada no século XIX. Retrata a época sim, os ambientes e roupas, mas também os costumes e a submissão da mulher ao homem. O marido é dono da esposa, o homem dono da casa, os direitos do marido, as obrigações da esposa, a reputação da mulher, a reputação do homem, as aparências e outras maneiras que estão inseridas nos comportamentos dos personagens. 

Recomendadíssimo o livro! Excelente! Com certeza, Julia Quinn tornou-se uma das minhas autoras favoritas.

Nota: 5/5

ISNB: 978-85-8041-146-1
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2013

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Até mais! Fabi

30 novembro 2015

Resenha: Simples Perfeição - Abbi Glines

08 setembro 2015


Simples Perfeição é a continuação de Estranha Perfeição, de Abbi Glines.

Após a morte do pai, Woods Kerrington descobre que o avô deixou em testamento o Country Club Kerrington para ele assumir. Com isso, Woods está livre de Angelina, é dono do clube, e não precisará seguir a vontade do pai de que eles se cassassem e unissem as suas fortunas. Woods pode agora seguir o seu coração e ficar com Della Sloane, a garota que ele ama e quer proteger dos fantasmas do passado. Mas, Angelina não vai aceitar ser trocada por Della tão facilmente. 

“Angelina era tão boa em incutir culpa quanto a minha mãe. As duas se pareciam muito.”

“Della atirou a cabeça para trás e deu risada. O som dessa risada fez todo o meu mundo entrar nos eixos.”

Depois de todo o mal-entendido ocorrido em Estranha Perfeição, Della está vivendo com Woods. Estão muito felizes, apaixonados, porém, ela continua tendo os terríveis terrores noturnos. Infelizmente, vive com medo das próprias lembranças e com medo de se perder dentro da própria cabeça. Sente-se frágil e insegura. Woods quer protegê-la e não mede esforços para estar perto de Della a qualquer momento que ela precisar. Mas, isso está incomodando Della, que acredita atrapalhar Woods e ser um peso para ele, pois Woods ficou com muito trabalho depois que assumiu o country club e ainda tem que cuidar das crises da mãe, em luto pela morte do pai. Della começa a sentir-se inútil, fraca e não merecedora dele.

“Eu só o estava deixando mais estressado. Ele precisava de tempo para se adaptar. Eu daria esse tempo para Woods mesmo que, para isso, tivesse que encontrar outra forma de passar os dias.”

Della então toma uma decisão difícil, que a leva a um processo de autoconhecimento. O seu passado vem à tona e ela acaba recebendo várias informações até então desconhecidas. E isso muda muito o que ela pensava sobre si mesma e sobre o seu passado. Teremos a partir daí uma nova Della, muito mais forte e confiante, e com todo um futuro pela frente.   

“Ele me abraçou mais apertado e nós ficamos ali, com os nossos corpos reverberando o prazer dos nossos corações curados.”

Como todos os livros de Abbi Glines, é uma leitura muito fácil, rápida e tranquila. O livro começa um pouquinho lento e sem grandes acontecimentos. Depois toma um fôlego e nos toma para dentro da história. Aí sim, não dá vontade de parar de ler e a leitura flui muito rápido. Alguns acontecimentos nos pegam de surpresa e são apresentados novos fatos sobre Della e sobre o grupo de amigos de Rosemary Beach. 

Woods está ótimo nesse volume, muito apaixonado, disponível e compreensível. Um homem perfeito, incrível. Já Della, infelizmente, está um pouco chatinha neste livro, mas evolui conforme os acontecimentos. Entretanto, a história do casal é pequena, e considero que poderia ter sido escrita em volume único. A autora relembra a história de outros casais, e acrescenta um drama na trama.

A série Perfeição faz parte do cenário de Rosemary Beach que a autora criou. Adoro o cenário e todos os personagens que fazem parte dele. Uns mais que outros, mas cada livro novo sempre acrescenta alguma informação para o cenário todo. Adoro a escrita de Abbi Glines e, independente de ter adorado o livro ou não, quero continuar lendo os livros que surgirem sobre Rosemary Beach, simplesmente porque é um tipo de leitura que não exige muito (nada), serve para distrair, descansar a cabeça. Os casais são sempre lindos e bronzeados, com corpos maravilhosos, um deles sempre muito rico e o outro é sempre um cachorrinho abandonado precisando de carinho. Embora tenha sempre a aparência de mundo perfeito, os personagens também têm seus dramas pessoais. Recomendo a autora.

Nota: 4/5 (Ótimo)

ISNB: 978-85-8041-357-1
Editora: Arqueiro
Páginas: 208
Ano: 2015

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Até mais! Fabi

08 setembro 2015

Resenha: Encontrada - Carina Rissi

25 agosto 2015


Encontrada: À espera do felizes para sempre é o segundo volume da série Perdida, de Carina Rissi.

Em Perdida, conhecemos Sofia Alonzo, uma garota de 24 anos do século XXI, que acidentalmente volta ao passado, para o século XIX, e conhece Ian Clarke, um jovem aristocrata de 21 anos, dono das terras e dos bens da família Clarke, e responsável pela irmã adolescente, Elisa. Quando o rapaz encontra Sofia em trajes tão inapropriados (uma saia jeans curta, camiseta e tênis All Star vermelho) e confusa com o ambiente em que se encontra, Ian resolve levá-la para casa para ajudá-la a se recompor e a se recuperar. Entretanto, a garota incomum, de língua afiada e comportamento ousado,  vai conquistar o coração do Senhor Clarke e, depois de muitas trapalhadas para conseguir entender aquele século, Sofia procurará uma forma de permanecer ao seu lado.

“- Esta noite eu lhe entrego este corpo – proferiu ele, solene. - Pois a alma que o habita e o coração que aqui bate há muito lhe pertencem. E serão seus, apenas seus, para sempre. Eu juro, Sofia.”

Em Encontrada, reencontramos o casal, apaixonados. Sofia tentando se adaptar ao século, ser uma dama, com bons modos, educada, que aceita ser paparicada. Tentando, porque o comportamento dela não é exatamente como uma dama deveria agir. Quanto mais Sofia tenta acertar, mais confusão ela encontra. 

“Era só o que me faltava. Desmaiar feito uma donzela de filme antigo. Eu até podia estar em 1830, mas não começaria a agir como uma garota afetada. Não mesmo!
- Pois a senhora “devia” desmaiar (…) - É o que faz uma dama em uma situação como essa.
Maravilha. Eu não sabia nem mesmo me machucar de forma apropriada no século dezenove.”

Já Ian gosta de Sofia exatamente como ela é. Não quer que ela mude, que se comporte como as outras damas, quer que ela continue sendo a garota pela qual ele se apaixonou. Mas, Sofia tem que entender que agora vive no século XIX, e isso quer dizer aceitar ser bem cuidada e bajulada, viver com o dinheiro do marido e cuidar da casa. Ian tenta até ter a mente aberta e procura entender os discursos feministas de Sofia. Porém, os dois vão discutir muito para entrar em sintonia. 

“Ficamos nos encarando por um longo instante. Eu não podia ceder. E ele não parecia nada disposto a largar o osso. Por fim, algo em seu olhar mudou.
- Muito bem – concordou – Se sua vontade é aprender a cavalgar, terei o maior prazer em lhe ensinar, desde que use roupas e a sela adequadas.
- Mas eu não quero cair! E quero usar calças!
- E eu não quero seu corpo exposto dessa maneira! - ele explodiu.
- Meu corpo não está exposto, droga!
- Posso ver cada contorno dele, Sofia.
- Ah, pelo amor de Deus - joguei os braços para cima. - Implicar com a minha saia vá lá, mas as minhas calças...
- “Minhas” calças – ele frisou.
- Já é demais. Você vai me ensinar a cavalgar ou não?
- Não enquanto não trocar de roupas.”

Mas, apesar de todo o seu embaraço, Sofia tem um bom coração e está sempre disposta a ajudar, da maneira que pode. O problema é que às vezes ela extrapola um pouquinho, age por conta própria, sem pensar na repercussão de seus atos. Como no caso do seu condicionador para os cabelos. Sofia desenvolve um condicionador para domar seus cabelos rebeldes que atrai a atenção das damas da sociedade, todas o desejam. Sem querer, se vê envolvida na produção do cosmético. Imagina a surpresa de Ian ao descobrir que Sofia desenvolveu um negócio lucrativo? Certamente essa história vai nos render algumas boas surpresas!

Mais uma vez, Carina Rissi nos apresenta uma leitura hilária, muito gostosa e muito tranquila. Sofia e Ian são um casal apaixonante. Sofia com toda a sua linguagem coloquial do nosso século, e Ian com todo o seu formalismo do século XIX. É interessantíssimo como nos inserimos nos discursos do casal, e ficamos tentando entender o ponto de vista de cada um. Normalmente os dois sempre estão com a razão, mas cada um com a versão do seu século. E creio que realmente não deve ser uma tarefa fácil fazer os dois personagens se entenderem quando enxergam o mundo de maneira tão diferente. Importa que os dois querem a mesma coisa e vão fazer se entenderem.

Enriquece muito o livro a pesquisa histórica que foi feita. Como no primeiro volume, são nos apresentados os hábitos do século XIX, algumas curiosidades que seriam estranhíssimas se pensarmos nos dias de hoje. Mas são colocadas casualmente no contexto, e você acaba se vendo inserido naquele ambiente.

Certamente é uma das minhas autoras nacionais favoritas. Adorei todos os livros que li dela até hoje. Simplesmente excelente, leitura recomendadíssima. 

A resenha de Perdida pode ser conferida aqui.

O terceiro volume da série, Destinado - As Memórias Secretas do Sr. Clarke, será lançado em setembro, e pode ser conferido aqui.

Nota: 5/5 (Excelente)

ISNB: 978-85-7686-318-2
Editora: Verus
Páginas: 476
Ano: 2014

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Até mais! Fabi

25 agosto 2015

Resenha: Roda-Gigante - Emanuele Oliveira

21 janeiro 2015


Roda-Gigante é um romance em e-book da escritora brasileira Emanuele Oliveira, que traz seis contos que se relacionam e se completam. 

Nora é uma garota de vinte e dois anos, da cidade de Cuiabá, Mato Grosso, que passou os últimos anos se preparando para entrar na faculdade de Direito em São Paulo. Quando alcança a tão sonhada vaga, percebe que não tem amigos e nem lembranças boas, visto o quanto esteve focada nos estudos. Logo se sente solitária em São Paulo e percebe que precisa de novos amigos.

Sarah, uma garota loira e bonita, trabalha em um hotel em regime de escala. Como não tem uma rotina estabelecida e pode acontecer de trabalhar cada dia em um horário diferente, consegue tirar vantagem dos seus horários irregulares e fazer algo que adora, administrar vários namorados ao mesmo tempo.

Ían, gay assumido, está em busca da pessoa certa para se relacionar e se apaixonar. Mas, encontrar essa pessoa não é tão fácil assim. Enquanto isso, adora encontrar com seus amigos e sair para bares para se divertir. A pessoa certa pode estar em qualquer lugar, até na internet.

Claire, uma mulher de trinta anos, londrina, professora de Língua Inglesa, veio morar no Brasil com o namorado que conheceu em Londres. Após alguns anos, a relação terminou e Claire está  deprimida. Sua amiga Rita resolve acolhê-la em sua casa e ajudá-la nesse momento. Acontece que Rita pede um favor a Claire, acompanhar o seu primo Benjamin, canadense, em sua visita por São Paulo. Mas, passar o dia com Benjamin pode ser uma experiência libertadora.  

Alexei, escritor alemão, veio morar no Brasil, Rio de Janeiro, com a namorada brasileira que conheceu em Nova York. Após publicar um romance de grande sucesso e trabalhar no roteiro para a adaptação do livro para o cinema, está com crise de criatividade. Tem uma briga séria com a namorada, que sai de casa, e não sabe como superar nem a briga nem a crise que está vivendo.

Brandon, ator americano reconhecido mundialmente, gosta de atuar em  filmes românticos que geralmente terminam com finais tristes. Está em busca de perdão pela escolha que fez no passado quando decidiu investir na carreira e de um novo filme, algo desafiador, que seja diferente do que está acostumado. Acaba entrando em uma confusão para buscar alguém especial e tendo uma grata surpresa.

É uma leitura muito tranquila e gostosa. A autora escreve de maneira bem leve, discretamente entrelaçando os contos uns nos outros. Interessante a ordem escolhida por ela para expor a história e como sem perceber os personagens se relacionam e acabam envolvidos em uma confusão. Atrás do romance maior está a história de cada personagem, cada um com suas necessidades e tentando inserir o amor na própria vida, a sua maneira.

Como uma roda-gigante, o mundo pode ser tão grande e tão pequeno ao mesmo tempo. As pessoas de uma maneira ou outra estão conectadas e, no fim das contas, sempre em busca de amor.

Adorei o livro, muito bom, recomendo!

O e-book está disponível na Amazon, Google Play, Kobo e Livraria Cultura.

Nota: 4/5 (Ótimo)

Até mais! Fabi

21 janeiro 2015

Resenha: O Fim da Eternidade - Isaac Asimov

29 dezembro 2014


O Fim da Eternidade, de Isaac Asimov, é um ótimo livro para os fãs de ficção científica, aventura, e que não abrem mão de um grande mistério. O livro faz parte de uma série de ficção publicada no Brasil pela Editora Aleph (256 páginas) e chega à sua 4ª impressão. Escrito em 1955, é o primeiro livro a aventurar-se por um mundo onde viagens no tempo são possíveis. Asimov é pioneiro no mundo da ficção, considerado por muitos como o melhor autor de ficção científica, superando inclusive J. R. R. Tolkien, autor de livros renomados como O Senhor dos Anéis e O Hobbit.

Asimov (1920 - 1992) nasceu em Petróvichi, na atual Rússia. Pertencente a uma família judia, devido à 2ª Guerra Mundial, mudou-se para Nova York, onde faleceu aos 72 anos. Formou-se em Bioquímica pela Universidade de Columbia, tornando-se professor, além de historiador, novelista e humorista. Deixou várias obras, as quais muitas influenciam hoje em dia diversos livros e filmes. Seus livros são interessantes pela complexidade de seus universos. A cada livro e conto, Asimov foi capaz de criar histórias com novos mundos, novos personagens e novas tecnologias, sempre a frente de seu tempo. 


Em uma das viagens no tempo mencionadas acima, encontramos Andrew Harlan, o nosso protagonista. Harlan é um Eterno, seu trabalho é fazer mudanças no espaço-tempo, com o objetivo de reverter avarias no nosso mundo. As mudanças se comportam como ‘efeito borboleta’, capazes de mudar personalidades ou a existência de milhares de pessoas.  

Os Eternos moram e trabalham na Eternidade, estação localizada em algum lugar fora da realidade. Ela é separada em séculos, onde os Eternos de cada “departamento” são responsáveis pela segurança do século que representam. Morar na Eternidade não previne o envelhecimento, mas garante proteção contra as mudanças feitas pelos Técnicos (agentes que executam as mudanças, por exemplo, Andrew Harlan).

Os Eternos são separados em diversas funções, e comportam-se como uma pequena sociedade. São encontrados engenheiros, físicos quânticos, astrofísicos e até sociólogos. Em vários pontos do livro, é necessário esquecer-se de seus conhecimentos de exatas, para entrar em uma grande discussão sociológica.

É interessante como existe uma evolução entre os séculos. A Eternidade começa no século 24, século que se inventou a viagem no tempo e segue um curso infinito. O período anterior a esta data se chama Primitivo e os Técnicos são proibidos de agir neste. 

Cada século tem sua característica marcante, seja ela: material, social ou tecnológica; o que é bastante impressionante. Encontramos séculos que não são feitos matéria, e sim energia. Encontramos séculos onde celulose e madeira são elementos extintos e despertam a curiosidade dos que veem. Assim como encontramos séculos onde era moda tirar todos os pelos do corpo. 

A história do livro gira em torno de Andrew, um Eterno, e Nöys, uma Tempista do século 482. A relação entre Eternos e Tempistas é extremamente proibida, já que a existência da Eternidade é apenas uma lenda para o mundo real. Sem spoilers significativos, posso dizer que os dois se apaixonam; e mesmo com todos os riscos, decidem viver uma paixão proibida, expondo em risco, inclusive, o fim da Eternidade.

Infelizmente, vejo um enredo fraco; um contexto com grande potencial, mas muito comum. O grande atrativo, além de todo o universo pensado e criado por Asimov, é o desenrolar da história. A maneira que o autor conduz os mistérios e os revelam, as ligações com fatos históricos reais e a mistura entre fantasia, tecnologia e realidade, são pontos muito bem trabalhos durante todo o livro.

Falando um pouco mais dos personagens, por mais que o enredo se volte para Andrew e Nöys, temos personagens que fazem constantes reviravoltas na história, que nos causam constantes momentos de raiva e surpresa. Todos os personagens sofrem evoluções durante o livro, alguns que parecem ser irrelevantes, nos conduzem a um final ÉPICO! SURPREENDENTE! E totalmente fora do contexto.

Vemos que o ser humano continua o ser mais racional da Terra, mas o mesmo irracional, que se deixa levar por emoções e desejos, e isto é bem enfatizado em suas histórias. Uma pequena ação humana pode mudar todo o curso da história.

Um livro de fácil leitura. Por mais que se trate de assuntos complexos, como astronomia e física quântica, qualquer leigo pode ler e se emocionar. Isto se deve ao foco romântico que o livro recebeu. 

“Este é o fim da Eternidade, e o começo da Infinitividade...”

Espero que esta crítica os tenha instigado a procurar e ler o livro. Sou suspeito para falar, pois amo este livro e o indico a todos meus amigos. Incentivou-me a leitura e, hoje sou um amante de livros e ficção científica, além de um grande fã deste grande escritor que é Isaac Asimov.

Se você já leu a obra, por favor, deixe nos comentários sua opinião; ela é de grande ajuda para continuarmos melhorando nossos textos, além de incentivo para trazermos novos livros.

Agradeço a todos que leram até aqui! Um abraço e até a próxima!

José Barbosa

29 dezembro 2014
 
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